(Foto: Vanessa Lago)
O
que há por trás disso? Essa frase é bastante conhecida pela minha turma durante
as aulas de português do curso de jornalismo. E ela me leva a refletir sobre
muitas coisas. É sempre importante enxergar além do que parece ser. O que será
que há por trás das fachadas dos casarões antigos de Belém?
“Há
se essas paredes pudessem falar”. É comum vir esse pensamento todas as vezes
que passo em frente a um dos casarões antigos de Belém. Se pudessem, contariam
diversas histórias daquela época. Histórias alegres, tristes, engraçadas... Mas
mesmo as paredes não podendo falar, sua própria estrutura já fala por si só.
Basta olhar para elas com atenção. E não simplesmente olhar, mas ver, sentir,
observar.
É
triste ver atualmente essas construções se desfazendo, desabando. Levando
embora todas as lembranças, todos os sonhos, todos os sentimentos. Belém possui
cerca de sete mil imóveis e conjuntos urbanos localizados no centro histórico e
em seu entorno, dentro desse total estão incluídos monumentos e casarões
residenciais que datam dos séculos XVIII, XIX e XX, e até mesmo imóveis que
foram transformadas em comércios e depósitos.
Uma
das mais imponentes construções já perdidas foi a Fábrica de Chocolates
Palmeira, que possuía 15.000 m² e era referência na produção de biscoitos, pães
e chocolates. Foi demolida em 1976 e já havia sobrevivido a um incêndio na
segunda década do século XX. O local ficou abandonado e passou a ser chamado de
“Buraco da Palmeira”, e serviu de moradia para mendigos e de ocupação de
usuários de drogas. O prefeito Dulciomar Costa acabou transformando o local num
camelódromo.
O
exemplo citado acima é mais uma história triste de nossa cidade. O que antes
era patrimônio histórico passou a ser um lugar qualquer. Usado para
proliferação do tráfico e de qualquer criminalidade. A “modernização” tem
ofuscado toda a beleza de nossas riquezas culturais. Casarões estão sendo
demolidos para que grandes “obras arquitetônicas” sejam construídas, ou para
ceder lugar a estacionamentos clandestinos.
O
descaso por parte das autoridades é palpável. Até mesmo as “reconstruções” dos
casarões estão os descaracterizando. A essência contida em cada detalhe de sua
obra fica escondida por detrás das inúmeras camadas de tinta. Eu,
particularmente, sou a favor das reconstruções que preservam o patrimônio e não
as que os modificam.
Não
se vira as costas para um ente querido que esteja de idade avançada. Assim
deve-se fazer diante de nossos patrimônios históricos. Faz parte de nossa
cultura, faz parte de nosso passado. Imaginem só, daqui a alguns anos, quando
estivermos mostrando a história de nossa cidade para nossos netos somente
através dos livros ou da internet porque já não haverá mais resquícios físicos
de nossa história. O que seria lamentável.
Por Vanessa Lago.
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