segunda-feira, 18 de março de 2013

Reflexão: Descaso nos patrimônios históricos de nossa cidade.

(Foto: Vanessa Lago)

O que há por trás disso? Essa frase é bastante conhecida pela minha turma durante as aulas de português do curso de jornalismo. E ela me leva a refletir sobre muitas coisas. É sempre importante enxergar além do que parece ser. O que será que há por trás das fachadas dos casarões antigos de Belém?
“Há se essas paredes pudessem falar”. É comum vir esse pensamento todas as vezes que passo em frente a um dos casarões antigos de Belém. Se pudessem, contariam diversas histórias daquela época. Histórias alegres, tristes, engraçadas... Mas mesmo as paredes não podendo falar, sua própria estrutura já fala por si só. Basta olhar para elas com atenção. E não simplesmente olhar, mas ver, sentir, observar.

É triste ver atualmente essas construções se desfazendo, desabando. Levando embora todas as lembranças, todos os sonhos, todos os sentimentos. Belém possui cerca de sete mil imóveis e conjuntos urbanos localizados no centro histórico e em seu entorno, dentro desse total estão incluídos monumentos e casarões residenciais que datam dos séculos XVIII, XIX e XX, e até mesmo imóveis que foram transformadas em comércios e depósitos.

Uma das mais imponentes construções já perdidas foi a Fábrica de Chocolates Palmeira, que possuía 15.000 m² e era referência na produção de biscoitos, pães e chocolates. Foi demolida em 1976 e já havia sobrevivido a um incêndio na segunda década do século XX. O local ficou abandonado e passou a ser chamado de “Buraco da Palmeira”, e serviu de moradia para mendigos e de ocupação de usuários de drogas. O prefeito Dulciomar Costa acabou transformando o local num camelódromo.
O exemplo citado acima é mais uma história triste de nossa cidade. O que antes era patrimônio histórico passou a ser um lugar qualquer. Usado para proliferação do tráfico e de qualquer criminalidade. A “modernização” tem ofuscado toda a beleza de nossas riquezas culturais. Casarões estão sendo demolidos para que grandes “obras arquitetônicas” sejam construídas, ou para ceder lugar a estacionamentos clandestinos.

O descaso por parte das autoridades é palpável. Até mesmo as “reconstruções” dos casarões estão os descaracterizando. A essência contida em cada detalhe de sua obra fica escondida por detrás das inúmeras camadas de tinta. Eu, particularmente, sou a favor das reconstruções que preservam o patrimônio e não as que os modificam.
Não se vira as costas para um ente querido que esteja de idade avançada. Assim deve-se fazer diante de nossos patrimônios históricos. Faz parte de nossa cultura, faz parte de nosso passado. Imaginem só, daqui a alguns anos, quando estivermos mostrando a história de nossa cidade para nossos netos somente através dos livros ou da internet porque já não haverá mais resquícios físicos de nossa história. O que seria lamentável.

Por Vanessa Lago.

0 comentários:

Postar um comentário