segunda-feira, 6 de maio de 2013

(Cena do filme)

O ator Thiago Mendonça interpreta Renato Russo em sua juventude e os primeiros contatos com o rock, sonhando com o estrelato. Na história, o jovem Renato dá aulas de inglês, além de estudar, viver conflitos sentimentais e, ainda, arrumar quem toque na sua banda. A escolha do elenco também foi cuidadosa. Thiago Mendonça, de forma quase assustadora, lembra demais Renato Russo. Em certo momento do filme em que o ator está barbado, a semelhança é ainda mais impressionante. E não é apenas física. Os maneirismos, o jeito de andar, de mexer nos óculos, de falar. Mas nem todos os atores são sósias de seus personagens, nem por isso menos identificáveis. Edu Moraes, por exemplo, está longe de parecer Herbert Vianna. Porém os óculos são inconfundíveis, e Moraes consegue reproduzir a maneira de falar e o jeito de Herbert de modo bastante fiel. O restante do elenco também tem boas atuações.

"Somos Tão Jovens” apresenta os primeiros passos do gênio Renato Russo e da turma do Rock Brasília, dos sucessos como “Que País é Este”, “Geração Coca-Cola”, “Eduardo e Mônica” e muitas outras que embalam fãs até hoje. A poesia e a voz da juventude de uma época, a formação de uma banda de sucesso atemporal: Legião urbana, uma trajetória lendária!

O filme tratou do lado humano, da construção do mito, desde a sua adolescência até a formação da Legião Urbana, um mérito do filme foi preservar a imagem de Renato Russo, não abordando necessariamente o período de sucesso da Legião Urbana e nem sua doença e decorrente morte, afinal respeitou um dos maiores desejos do cantor, de ser reconhecido pela sua obra, fato esse que ainda desperta muito interesse de jovens e adolescentes até hoje.

Renato morreu em consequência de complicações causadas pela Aids (era soropositivo desde 1990), mas jamais revelou publicamente sua doença. Também era viciado em maconha e em certo ponto assumiu a homossexualidade, o jovem e sua banda ficaram eternizados na história do país entre as maiores bandas de rock brasileiro. As letras de suas músicas, com conteúdo crítico, político e psicológico permanecem atuais, mas na época foram uma revolução sem precedentes.

(Cartaz do filme)

"Somos tão jovens" está em cartaz desde 03 de maio, nos cinemas.

Por Vânia Pinto.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

(Foto: Tarso Sarraf / O Liberal)

No Pará o futebol é quase uma religião. É um amor que derruba qualquer barreira e não importa se seu clube está em má fase, a torcida lota o Mangueirão como uma forma de ser aquela injeção de ânimo aos jogadores. Até o mais frio ser humano se contagia com o maior palco paraense lotado. É uma paixão desmedida. É uma paixão diferente do qual é visto em São Paulo, Rio de Janeiro e etc... É uma paixão singular que só quem vive pode descrever.


Qual torcedor não tem fé no seu time? Qual jogador nunca agradeceu a Deus por ter feito o gol do título? Futebol é arte. Futebol é religião. Torcedor veste o manto sagrado, vai ao estádio, grita, ‘esculhamba’ com a mãe do juiz, aplaude o zagueiro que salva o time tirando a bola em cima da linha, e chora quando o título é conquistado. O torcedor Paraense é assim. É do tipo que além do espetáculo no gramado, quer fazer a sua parte na arquibancada, e faz de uma partida de futebol, uma obra de arte. E assim disse Drummond: “Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma”.


No último sábado, dia 27, ocorreu mais uma rodada pelo Brasil dos campeonatos regionais. Na terra do açaí, vimos mais um Remo e Paysandu. Dessa vez, o céu amazônico foi pintado de azul marinho, assim como no sábado, dia 20, repetindo o mesmo resultado. O Leão venceu o Papão por 2 a 1 carimbando a vaga para a final do segundo turno do Campeonato Paraense (Taça Estado do Pará).


A classificação azulina começou a se desenhar logo aos 5 minutos do primeiro tempo, quando Leandro Cearense recebeu de Jonathan, e mandou um foguete sem chances ao goleiro bicolor Paulo Rafael. O Paysandu tinha que ir pra cima, necessitava da vitória para conseguir a vaga, com isso abriu espaços ao Remo, mesmo com a vantagem, não ficou apenas se defendendo. Enquanto que as principais peças do xadrez remista se destacavam, pelo lado do Paysandu, Eduardo Ramos, Pikachu e Iarley não demonstravam a mesma força. Mesmo assim, logo no inicio de segundo tempo, após boa jogada de Rafael Oliveira, que entrou no lugar de Iarley, fez boa jogada, no rebote de Fabiano, Djalma empatou a partida. Mostrando que o Paysandu não estava morto. Porém, aos 16 minutos, Clébson acertou um chute de fora da área, Paulo Rafael falhou e a torcida vibrou com o segundo gol do Leão.

Por: Carlos Augusto Matos

terça-feira, 30 de abril de 2013


(Cena do filme)

“Trust” ou “Confiar” é um filme norte americano de 2011, estrelado por Liana Liberatto, Clive Owen e Chatherine Keener. Do diretor David Schwimmer, um drama atual tanto nos Estados Unidos quanto na periferia de nossas cidades como Belém! O tema é atualíssimo e diz respeito a questões como pedofilía, relação família, sociedade e adolescência.


O filme conta a história de uma família feliz e aberta ao diálogo. Annie, a filha mais velha recebe do pai Will(Clive Oween) como presente de aniversário de 14 anos, um Mackbook. A garota fica conectada diariamente com um certo Charlie(Chris Henry Coffey), ora no chat, ora ao telefone. O suposto garoto que dissera ter 16 anos já é ‘conhecido’ da família, pois Annie repete tudo o que ele conta sobre como joga vôlei e sempre envia fotos de um garoto jovem.

O centro da idéia do filme é a confiança, uma característica da personalidade de Annie. E essa mesma confiança uma vez estabelecida dentro da família parece algo inquebrável. No entanto é destruída e a situação torna-se caótica.

No momento em que o irmão de Annie, Doug (Jason Clarke) vai para a faculdade, Charlie confessa ter 20 anos, logo em seguida diz ter 25. O que deixa a garota um pouco chateada, mas ele a convence, apesar de tudo, a marcar um encontro no shopping.

A menina se considera um patinho feio na escola e tenta se enturmar com as garotas populares ricas da escola, sem muito sucesso. Neste momento está encantada por Charlie, por causa das conversas ao telefone, de como ele a entende, e é gentil, engraçado e inteligente. No encontro Annie vê o quanto Charlie é mais velho, e fica decepcionada, mas Charlie a faz se sentir infantil por não entender o relacionamento deles. Muito confusa a menina não encontra saída para a situação e acaba indo com ele a um motel e perde a virgindade sem vontade e sem reação.

Brittany, sua melhor amiga viu os dois no shopping e denuncia o caso na escola, em questão de horas já está o FBI e a polícia investigando, os pais de Annie não podem acreditar. A garota passa por exames para coletar provas do estupro, e é apoiada por uma assistente sócia, Gail Friedman( Viola Davis). Apesar de tudo, Annie tenta acreditar que foi um ml entendido e que Charlie a ama, porém ele não atende o celular, ainda mais agora que está sendo rastreado pelos investigadores.

Will Cameron(Clive Oween) o pai de Annie está obcecado de tal forma em pegar o criminoso que mal percebe a dor da filha. O interessante é que ele trabalha com publicidade voltada para o público jovem. Tudo isso inserido numa cultura erotizada de imagens do nu e culto ao corpo. E é nesse momento que ele, no meio de uma festa vê a foto de Annie, presumivelmente originária da webcam do computador novo usado para enviar fotos a Charlie.

A polícia descobre afinal que o criminoso é apenas mais um de muitos que atuam na rede seduzindo adolescentes. E o mesmo tem conseguido burlar as investigações alterando o ID de computadores e as conversas são sempre as mesmas, as vítimas tem o perfil de Annie, entre 12 e 15 anos. Na nie percebe ao ver as fotografias das garotas que elas não são bonitas para os padrões vigentes na escola e nos grupos em que ela está inserida. Desesperada ela vai conversar com Gail, a assistente social quando finalmente se dá conta de que não era especial, apenas foi enganada para fazer sexo. O drama da família chega ao clímax quando a foto de Annie vai parar num site pornô numa montagem maldosa, e a bomba se espalha entre os colegas. Totalmente perdida ela toma vários comprimidos a fim de fugir da situação. Felizmente é socorrida a tempo e quando as coisas se acalmam ela e o pai tem finalmente uma conversa franca.

O filme dá a entender que Charlie é um pai de família, Sr. Grahan Weston, também e até tem filhos, o que não impede que ele seja um pervertido pedófilo.  A história é uma reflexão atual sobre os crimes na rede, a liberdade individual dos filhos e os padrões de beleza ditadores. Como conversar com uma filha que foi molestada, mas que ainda defende o criminoso é o grande dilema, pois Charlie conquistar a confiança dela. O interessante é pensar também como a tecnologia pode ser uma armadilha nas mãos erradas, e que progresso não se resume à ultima novidade, na verdade a tecnologia traz consigo males que sequer tem nomes próprios definidos!



Por Vânia Pinto.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Foto: Prefeitura de Belém.

Fundado em 24 de abril de 1912, pelos empresários Carlos Teixeira e Antônio Martins, o Cine Olympia é uma das relíquias na história do Brasil e da Amazônia, completa esse ano 101 anos. Para celebrar mais um ano de existência, o Cine terá uma programação especial, como todos os anos, terá a apresentação do músico Robenare Marques executando a trilha sonora dos filmes “Em Algum Lugar do Passado” e “Tempos Modernos” e Salomão Habbib executando a suíte Olympia, de sua autoria, feita em homenagem ao cinema. Depois a programação exibirá o filme mudo “Aurora” de F. W. Murnau, com acompanhamento musical ao vivo do pianista Paulo José Campos de Melo, em parceria com a Fundação Carlos Gomes.

O cinema mais antigo do país tem uma rica história. A princípio, foi idealizado para levar o cinema à elite de Belém, inclusive os grandes barões levavam suas cortesãs como acompanhantes, e em 1912 consolidou-se como uma diversão popular e existiam cerca de 20 espalhados pelos bairros da cidade, porém, alguns eram nada mais do que barracões com telas improvisadas.

O cinema inaugurou o colunismo social em Belém com a “Olympia Jornal”, produzido por Rocha Moreira, que era distribuído na entrada da sala de projeção, seu conteúdo era basicamente programação e curiosidades, assim como notícias do cinema e versos dedicados aos frequentadores. Foi no Olympia que se exibiu o primeiro filme sonoro chegado à Belém: “Alvorada do Amor”, opereta da Paramount Pictures com Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald, dirigida por Ernst Lubitsch, em novembro de 1930.
No fim dos anos 30 a empresa Teixeira & Martins que era encarregada do cinema, não suportou os encargos financeiros e vendeu o cinema, e outros que controlava, ao banqueiro Adalberto Marques. Criou-se a “Cia. Cinematográfica Paraense Ltda”. Uma firma de vida curta. Em 1946 Marques vendeu todos esses cinemas ao exibidor cearense Luís Severiano Ribeiro, já dono de salas em diversos Estados.

Em 1953 os estudantes de Belém exigiram reforma do Olympia, bastante deteriorado na época. Severiano Ribeiro respondeu comprando um terreno na Av. Nazaré e anunciando que ali construiria o Cinema S. Luís “o maior do norte do Brasil”. Mas não só o novo cinema ficou nisso como o Olympia permaneceu maltratado. Só em 1960 é que recebeu os requisitos de conforto como poltronas estofadas e ar condicionado. No decorrer dos anos pouco se fez pelo prédio e suas instalações e o cinema passou por diversas crises para manter-se.

Hoje o cinema é um espaço cultural administrado desde 2006 pela Fundação Cultural do Município de Belém, da Prefeitura Municipal. É referência cinematográfica para todos os paraenses, e apesar de atravessar uma fase sem muito brilho, ainda atraí os fãs.

Por Wanessa Aires.

Fontes: Diário do Pará e Cine Olympia.

sexta-feira, 19 de abril de 2013



No dia do índio um extermínio foi registrado e o documento foi encontrado 45 anos depois. O responsável por essa descoberta foi o vice-presidente do grupo “Tortura Nunca Mais” de São Paulo, Marcelo Zelic, que também é coordenador do projeto Armazém Memória, que é uma iniciativa de construção coletiva, com o objetivo de garantir ao povo brasileiro acesso a sua memória histórica.

O “Relatório Figueiredo” foi encontrado no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, com mais de 7 mil páginas preservadas. Zelic já garante que o documento pode ser motivo de preocupação a diversos setores que possivelmente podem estar envolvidos nas denuncias da época. Segundo Marcelo, já existem manifestações de pessoas que possivelmente podem estar envolvidas para a desqualificação do documento. O Relatório pode se tornar um trunfo para a Comissão da Verdade.

Em plena ditadura, em 1967, a pedido do ministro do interior, Albuquerque Lima, a investigação teve o seu início. Investigou mais de 130 postos indígenas e apurou matanças de tribos inteiras e tortura. “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”. Uma das inúmeras passagens brutais do texto redigidas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia. 

Por Carlos Augusto Matos


Entre as décadas de 60 e 80, o Brasil foi governado pelo regime militar. Durante esse período, as instituições democráticas sofreram restrições, com a imprensa censurada, as liberdades individuais limitadas e cidadãos com direitos políticos violados muitas vezes vistos como subversivos. Foi uma época marcada por repressão, confrontos armados e guerrilhas urbanas e rurais. Contudo, a partir de 1974, com a posse do general Ernesto Geisel começa o processo de abertura política do país, possibilitando assim, a volta da democracia.

Ocorreram transformações significativas neste período. Em Belém, a mobilização política não foi diferente. Elcione Barbalho, 68 anos, atual deputada federal pelo PMDB-PA vivenciou todo esse processo de mudanças e acompanha os rumos do partido até hoje. “Fui uma das fundadoras do Movimento Democrático Brasileiro no Pará, o MDB, que depois virou o PMDB. Na década de 60 comecei a militar nos movimentos estudantis no colégio e depois na universidade. Quando precisamos de assinaturas de diretórios em todo o país para registrar o MDB, saía de madrugada com uma pasta embaixo do braço, com listas de assinatura e batia de porta em porta. Foram anos tensos, difíceis”, comentou.

Sobre a batalha contra a ditadura na época, Elcione também ressaltou a importância do partido. “O PMDB é um partido político que protagonizou uma das mais bem sucedidas transições democráticas de que se tem notícia. Um partido que, além disso, soube no âmbito da disputa democrática se manter grande no propósito de bem servir ao Brasil”, disse a deputada.

A abertura política possibilitou que em 1979, houvesse a concessão de anistia para os que foram acusados de crimes políticos. Foi o que ocorreu com a economista Dulce Rosa de Bacelar Rocque, 64 anos, que presenciou a agitação política na época da ditadura. Era conhecida como Márcia Rodrigues, pseudônimo que usava junto ao partido comunista. Dulce Rosa saiu do Brasil ainda jovem, quando ganhou uma bolsa de estudo para Moscou, onde passou dois anos. Depois foi para a Itália. Lá, fazia denuncias contra a ditadura no Brasil.

“Saí para estudar na França, ou seja, isso foi o que disse a todos os amigos e parentes quando viajei para União Soviética” revelou Dulce. “Como consegui ficar em Moscou, me tornaram uma exilada” explicou. Com a promulgação da lei de anistia, Dulce não recebeu diretamente o “perdão político”, porém o auto-exílio fez com que a paraense fosse anistiada.

No período teve início um grande movimento civil de reivindicação por eleições diretas para presidente – as Diretas Já. Na ocasião, ocorreram comícios em diversas capitais, várias lideranças se reuniram em prol da democracia. “Fui líder estudantil no início da década de 1980, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. A luta pelas “Diretas Já” no Pará foi tão efervescente quanto nos demais estados brasileiros. A juventude vibrava pela liberdade de escolher seu representante político”, diz o atual deputado federal Arnaldo Jordy.

“Chegamos a reunir milhares de pessoas em grandes comícios na antiga 1º de Dezembro. Apesar de o Pará ter uma posição geográfica longínquo da capital política, fizemos aqui nosso
clamor pela retomada da democracia, pois também éramos vítimas daquele regime ditatorial que massacrava a liberdade das pessoas e reprimia nossos direitos de cidadãos”, diz.

Por Uliana Motta e Cleven Pena.

quarta-feira, 3 de abril de 2013



(Foto: VEJA)

A ossada encontrada pelo Grupo de Trabalho do Araguaia (GTA), na última expedição realizada em 2012 reacendeu as esperanças de novas respostas à questão da localização dos militantes da Guerrilha do Araguaia, cujos corpos estão desaparecidos desde o fim do conflito nas matas da região na metade da década de 1970.

Com mais essa descoberta já somam 17 ossadas encontradas pelo grupo desde o início das buscas, em 2009, quando o GTA foi criado para dar cumprimento à decisão da Justiça Federal de Brasília que determina a localização e identificação de corpos dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

Em 2009, quando os trabalhos eram coordenados pelo Exército, foi encontrada apenas uma ossada. Outra foi achada no ano seguinte. Já em 2011, quando as buscas deixaram de ser coordenadas pelas Forças Armadas, a quantidade subiu para cinco. Nessa última expedição foram encontradas nove ossadas, número bastante significativo tanto para o GTA quanto para os familiares dos guerrilheiros desaparecidos.

Os restos mortais encontrados esse ano foram localizados num antigo cemitério em São Geraldo do Araguaia. A expedição durou 12 dias e percorreu os municípios de Xambioá e São Geraldo do Araguaia. Todo o material recolhido será encaminhado à Brasília e passará por análises periciais. O processo de identificação das ossadas é muito demorado. Até hoje, apenas duas ossadas foram identificadas, a dos militantes políticos Bergson Gurjão e Maria Lúcia Petit . “A identificação é muito demorada. Só para retirar pode levar um mês, e para identificar pode levar um ano”, diz Paulo Fonteles Filho, membro do GTA e da Comissão Nacional da Verdade.

Antes da atuação do GTA, era o Exército quem comandava as buscas. Durante a liderança do Exército nas expedições somente três ossadas haviam sido encontradas, uma em 2009 e duas em 2010. Segundo Paulo Fontelles, “o Exército atrapalhava as buscas, os camponeses nos indicavam um local, mas o Exército indicava um local 50 metros após a localização dada pelos camponeses”.

Agora, com a atuação do GTA, o trabalho de busca pelos corpos dos desaparecidos tem progredido. Ex-soldados que participaram na Guerrilha tem contribuído gradativamente com informações a respeito das localizações dos corpos. Somente após mais de 40 anos do fim do conflito é que tanto ex-soldados quanto os camponeses e até mesmo índios, que de certa forma foram atingidos, começaram a falar sobre o que verdadeiramente ocorreu naquele período.

Mais buscas estão sendo organizadas para 2013. A intenção do GTA é localizar 14 desaparecidos políticos no cemitério da Saudade, em Marabá.

Guerrilha do Araguaia
A Guerrilha do Araguaia foi um agrupamento de militantes contrários à ditadura militar que acreditavam que a revolução socialista só teria sucesso se acontecesse no interior rural do Brasil.
Os militantes, na maioria membros do PCdoB, escolheram a região no sul do Pará, nas divisas entre o Maranhão e Tocantins. A área, de aproximadamente 7.000 km², foi palco de treinamentos e ações dos militantes, que pegaram em armas e criaram um esquema paramilitar para realizar suas operações.
Entre 1972 e 1975, a Guerrilha do Araguaia foi alvo de uma grande ação do exército, que queriam reprimir e acabar com o movimento.
Durante as ações militares, os agentes de repressão da ditadura teriam cometido graves violações aos direitos humanos, como prisões ilegais e execuções de guerrilheiros e moradores locais, condenados como “colaboradores”.

Buscas por desaparecidos políticos
A busca pelos corpos dos desaparecidos políticos não tem sido uma tarefa fácil. O Estado Brasileiro e as Forças Armadas nunca deram pleno acesso aos documentos que continham informações relevantes sobre o que ocorreu na região do Araguaia.

“O Exército diz que destruiu todos os documentos, mas eu tenho dúvidas em relação a isso. Acho que alguns desses documentos estão escondidos nas casas de militares”, diz Paulo Fontelles.

Segundo ele, muitos desaparecidos políticos estão enterrados em cemitérios como indigentes. Nos últimos dois anos, as ossadas encontradas estavam sepultadas em cemitérios, tanto em Xambioá quanto em São Domingos do Araguaia. Outros corpos foram queimados até não restarem mais nada deles.

Conseguir a informação que contenha a localização de determinada ossada é o primeiro passo a ser seguido. Depois os técnicos vão até o local indicado e fazem uma espécie de “ultrassonografia” do solo, utilizando um aparelho chamado GPR. Só então é que se faz a identificação das ossadas. Para isso é preciso fazer análise de DNA, o que pode levar em torno de três meses para ser feito.

A identificação das ossadas é um processo muito trabalhoso devido ao clima da região. “A região amazônica também não colabora na identificação das ossadas. O solo amazônico, além de arenoso, é muito úmido, o que destrói facilmente as ossadas. Algumas são quase impossíveis de serem identificadas, e nós também nem podemos contar com a ajuda de quem matou e enterrou os militantes”, diz Fonteles.

Por Vanessa Lago.