terça-feira, 19 de março de 2013

"Temos um papa ! "

(Foto: noticias UOL)

“Habemus papam!” Foi o anúncio feito pelo cardeal diácono francês Jean-Louis Tauran ao aparecer na varanda central da Basílica de São Pedro. Após cinco votações, dois dias de conclave e no mínimo 77 votos dos 155 cardeais, foi eleito o novo sumo pontífice da igreja católica, o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio. Sucessor do agora Papa Emérito Bento XVI, o novo papa adotou como nome Francisco, e, conforme anunciado pelo Vaticano o nome não leva numeral. O cardeal se tornou o primeiro papa latino-americano e jesuíta da história e terá a missão de liderar os 1,2 bilhão de católicos do mundo. 

Às 15h05 (de Brasília) os badalos dos sinos ecoaram no Vaticano e a chaminé da Capela Sistina começou a liberar a fumaça branca que indicaria o que era tão aguardado por muitos, o anúncio ao mundo de que a igreja católica tinha novamente um novo líder. Meia hora depois e já com as vestes papais, Bergoglio, o 226º eleito na história, apareceu na varanda para dar a primeira benção ao povo católico. "Antes de abençoá-los, porém, quero que vocês orem e peçam que Deus me abençoe", disse o novo pontífice, que pediu também orações pelo papa emérito Bento VXI.

Ficando à frente dos nomes mais cotados, como o do cardeal Angelo Scola, italiano, tido como favorito entre aqueles que pretendiam grandes mudanças na igreja, e do cardeal brasileiro Odilo Scherer ,favorito pelos burocratas internos do Vaticano, a escolha do cardeal Bergoglio foi uma surpresa para alguns. 
Considerado homem simples e próximo ao povo, em plena Praça de São Pedro lotada de fiéis, o argentino afirmou, em tom de brincadeira "parece que seus colegas cardeais foram buscar o Papa no fim do mundo", em referência à Argentina, sua terra natal. Ele pediu também aos católicos do mundo para "empreender um caminho de fraternidade, de amor" e de "evangelização".

O novo papa também terá muitos desafios, entre eles a reforma da Cúria Romana e do Banco do Vaticano, implantando uma gestão mais transparente e dando as respostas necessárias para o fortalecimento da igreja, a investigação do vazamento de documentos no ‘Vatileaks’–. Publicação de uma série de
cartas confidenciais vazadas dos aposentos do então Papa Bento XVI sobre vários assuntos, como os escândalos sexuais do padre mexicano Macial Maciel e intrigas do Vaticano. A perseguição aos cristãos na África e Ásia, o celibato–renúncia das atividades sexuais e os inúmeros casos de pedofilia, são a agora “herança” do papa Francisco.

A inspiração para o nome escolhido pelo cardeal Jorge Bergoglio veio de São Francisco de Assis. O papa citou ainda, durante um pronunciamento para a imprensa, no Vaticano, que foi um cardeal brasileiro que o ajudou nesta escolha. “Alguns pensaram em Francisco Xavier, de Sales e de Assis. Vou contar a história: na eleição, eu tinha a meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, o cardeal d. Claudio Hummes, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar perigosa, ele começou a me tranquilizar e, quando os votos chegaram a dois terços, aconteceu um aplauso. Ele me beijou e disse: não se esqueça dos pobres.” E então, inspirado pelas palavras de Hummes, teve a ideia do nome “que apareceu em seu coração”: Francisco de Assis. “Para mim, ele é o homem da pobreza, da paz, o homem que ama e protege”. 
Disse ainda que o trabalho da imprensa tem semelhanças com o trabalho da Igreja. “Seu trabalho exige atenção especial para com a verdade, a bondade e a beleza. Isso nos torna extremamente próximos, porque a Igreja exige para comunicar exatamente isso: a verdade, a bondade e a beleza.” Ao final, o carismático papa foi aplaudido.

O Conclave 

A votação secreta que escolhe o novo pontífice, convocada depois da renúncia de Bento XVI, ocorreu após dez congregações gerais de cardeais, onde os problemas da igreja foram debatidos exaustivamente, em meio a muitas conversas de bastidores e especulações sobre os prováveis papáveis, com a participação de 155 cardeais do mundo todo. Durou dois dias. 

A Renúncia de Bento XVI

O alemão Joseph Ratzinger, o então papa Bento XVI, anunciou em 11 de fevereiro que havia decidido renunciar. Foi o primeiro pontífice a deixar o cargo em mais de 600 anos. Bento XVI alegou que não tinha mais forças para liderar a igreja. 
Bento XVI havia sucedido o papa João Paulo II, eleito em 19 de abril de 2005. Seu pontificado durou 8 anos. Entre reformas e escândalos, o agora chamado Papa Emérito, deixa o Vaticano e se recolhe em meditação em Castel Gandolfo– residência de verão do papa, onde permanecerá até se mudar para um convento sobre as colinas do Vaticano.

Por Uliana Motta.

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