quarta-feira, 20 de março de 2013

Arquivos da ditadura militar


(Foto: reprodução Instituto Mauricio de Nassau)

O anúncio do Ministério da Justiça em disponibilizar até outubro de 2013 para consulta pública documentos que estão em Roma sobre o período da ditadura militar no Brasil, reacendeu a discussão sobre o destino de documentos ainda não revelados sobre os anos de chumbo no país. Os arquivos que serão abertos ao público brasileiro farão parte do futuro centro de documentação do Memorial da Anistia, que está sendo construído em Belo Horizonte (MG).

No Pará, quase 30 anos depois do fim da ditadura, alguns documentos que registram parte desse período já foram entregues ao arquivo público do Estado. O acervo é composto principalmente por relatos de reuniões entre militantes, prisões de pessoas que estavam envolvidas na proteção dos guerrilheiros, além dos relatos de pessoas que lutaram pela democracia no País.
Historiadores argumentam, no entanto, que o material disponível no arquivo público não está completo. Muitos desses documentos sumiram ou foram queimados, além dos documentos que ainda estão sob a posse das forças armadas.

“Os militares sumiram com os principais documentos e relatórios da ditadura com medo de sofrer punições mesmo depois da anistia e até hoje proíbem qualquer pessoa de falar sobre esse período”, diz o historiador João Lúcio Mazzini. Segundo ele, também existe um grande descaso das lideranças política do estado em relação ao assunto. “Falta projeto para resgatar tudo o que ainda restou que ainda não temos acesso”, diz.
Vasculhar os documentos do arquivo público do Pará é item obrigatório para quem busca entender um pouco mais o período militar no estado. Alguns documentos mostram como os passos dos brasileiros eram sempre vigiados. Um informe do Ministério da Aeronáutica é exemplo disso. Um dos informes do III COMAR registra um debate sobre a guerrilha do Araguaia no dia 19 de Março de 1981 às 20:30.
O debate teve a presença do então deputado Lysâneas Maciel que elogiou muito os guerrilheiros, chamando-os de ‘heróis da pátria’ que lutaram para ter um país livre. No mesmo relatório, a mãe de uma militante, Cirene Maroni, conta sobre o desaparecimento da filha, de nome Cristina. No relato de Maroni, a filha foi lutar junto aos camponeses na área da Transamazônica.

“O que se deveria fazer seria montar uma sede para reunir todos esses arquivos em um só lugar, pois vários documentos da nossa região estão espalhados. Resgatar esses arquivos é ajudar a reescrever a história do Brasil, contar quem foram os homens e mulheres que pagaram com a própria vida por lutar pela democracia”, diz Mazzini.

Por Bruno Farias e Fernandrea Silva.

2 comentários:

ismael machado disse...

esse espaço pode servir para que vcs façam amplo material sobre o assunto

Hellen Monarcha disse...

Tenho um amigo que escreveu sobre a ditadura militar, a partir de pontos de vista inéditos..., e tem uma publicação de classificação A1 a respeito do tema. Ele fez mestrado comigo, chama-se Jaime Cuellar. É professor de história. Vou indicar o blog de vocês para que troquem ideias... Parabéns pela iniciativa. ;)

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