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| (Foto: Reprodução/Tarso Sarraf)- Portal DOL |
Depois de quase três décadas do
fim da ditadura militar no Brasil, cerca de 200 pessoas continuam como
desaparecidas, devido aos crimes praticados pelos militares. Destes, pelo menos
dez são paraenses. A luta pela resistência resultou em massacres, torturas e
mortes. Diversas pessoas sumiram em meio a circunstâncias ainda mal explicadas.De
acordo com o site ‘www.desaparecidospoliticos.org.br’ os desaparecidos
paraenses estão ligados principalmente à guerrilha do Araguaia. Um dos
paraenses foi Antônio Alfredo de Lima, camponês em São João do Araguaia. Vivia
como clandestino, era casado, tinha filhos.
Desapareceu após uma emboscada na
roça dele, às margens do rio Fortaleza, no Araguaia. O que se relata a respeito
do camponês é que ele tenha sido morto no dia 14 de outubro de 1973, juntamente
com André Grabois, João Gualberto e Divino Ferreira de Souza.Outros
desaparecidos aparecem num levantamento feito por Eneida Guimarães, atual
diretora do PCdoB no Pará. O partido esteve à frente da Guerrilha do Araguaia,
na década de 70.
Entre os paraenses na lista de
desaparecidos políticos, está Joaquim Alencar de Seixas, operário morto em 1971
nas dependências do DOI-CODI em São Paulo. Nascido em Bragança, Seixas morou em
São Paulo, onde participou do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), tornando-se
um de seus dirigentes. Seixas foi preso junto com o filho Ivan no dia 16 de
abril de 1971. Do local da prisão, ambos foram levados para a 37ª Delegacia de
Polícia, onde foram espancados no pátio do estacionamento, enquanto os
policiais trocavam os carros usados para o esquema de prisão.
O relatório do site ‘Tortura
Nunca Mais’ sobre Seixas, diz que no pátio de manobras da OBAN, pai e filho
foram espancados de forma tão violenta, que a algema que prendia o pulso de um ao
outro rompeu-se. “Dessa sessão de espancamento, ambos foram levados para a sala
de interrogatórios, onde passaram a ser torturados um defronte ao outro. Nesse
mesmo dia, sua casa foi saqueada e toda sua família presa”, informa o site.
No dia seguinte, 17 de abril de
1971, os jornais paulistas publicavam uma nota oficial dos órgãos de segurança,
que dava conta da morte de Joaquim Alencar de Seixas em tiroteio. Só que ele
ainda estava sendo torturado. A morte só viria à noite. “Precisamos explicar
essa parte da história do Brasil que, com certeza ainda é mal contada”, diz
Eneida Guimarães. É uma iniciativa também da Comissão Nacional da Verdade. “Os
das grandes cidades foram os primeiros a se mobilizar pela busca dos
desaparecidos. Era mais fácil falar com autoridades. Com a Dilma, a importância
é que agora o Estado brasileiro resolveu investigar, se responsabilizar, além
de assumir a sua culpa publicamente. Na América Latina já se fez isso”, explica
a integrante da Comissão Nacional da Verdade Maria Rita Kehl. “Como a comissão
da verdade possui apenas 7 integrantes, precisamos de ajuda de quem viveu o período.
Da guerrilha do Araguaia só dois corpos foram identificados”, afirma.Até hoje,
o debate a respeito do período apresenta controvérsias. Um ex- sargento das
forças armadas que não quis se identificar nega ter havido massacre no
Araguaia, por exemplo. “Os guerrilheiros eram criminosos da época. Muitos
tinham ficha suja no SNI e hoje estão aí no poder”. Ainda segundo ele, o
Exército não vai mexer nesses papeis porque ‘isso’ já acabou e quando vier à
tona vai prejudicar muita gente, não só os militares.O governo brasileiro
assumiu através da lei 9.140/95 a responsabilidade do Estado pelos crimes dos
anos de chumbo. Declarou mortos todos os desaparecidos no período em razão dos
massacres. Para quem viveu a clandestinidade e a violência psicológica de um
período, o objetivo é poder dar respostas aos muitos pontos de interrogação
abertos, assim como as feridas dos parentes das vítimas. “Precisamos esclarecer
essas histórias, o povo brasileiro tem o direito de saber o que houve com os
companheiros”, diz Eneida.
Por Vania Viana e Carlos Augusto Matos.

1 comentários:
Nosso primeiro trabalho. Maravilhoso aprendizado de história, vida e histórias de vida!
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