Ocorreram transformações significativas neste período. Em Belém, a mobilização política não foi diferente. Elcione Barbalho, 68 anos, atual deputada federal pelo PMDB-PA vivenciou todo esse processo de mudanças e acompanha os rumos do partido até hoje. “Fui uma das fundadoras do Movimento Democrático Brasileiro no Pará, o MDB, que depois virou o PMDB. Na década de 60 comecei a militar nos movimentos estudantis no colégio e depois na universidade. Quando precisamos de assinaturas de diretórios em todo o país para registrar o MDB, saía de madrugada com uma pasta embaixo do braço, com listas de assinatura e batia de porta em porta. Foram anos tensos, difíceis”, comentou.
Sobre a batalha contra a ditadura na época, Elcione também ressaltou a importância do partido. “O PMDB é um partido político que protagonizou uma das mais bem sucedidas transições democráticas de que se tem notícia. Um partido que, além disso, soube no âmbito da disputa democrática se manter grande no propósito de bem servir ao Brasil”, disse a deputada.
A abertura política possibilitou que em 1979, houvesse a concessão de anistia para os que foram acusados de crimes políticos. Foi o que ocorreu com a economista Dulce Rosa de Bacelar Rocque, 64 anos, que presenciou a agitação política na época da ditadura. Era conhecida como Márcia Rodrigues, pseudônimo que usava junto ao partido comunista. Dulce Rosa saiu do Brasil ainda jovem, quando ganhou uma bolsa de estudo para Moscou, onde passou dois anos. Depois foi para a Itália. Lá, fazia denuncias contra a ditadura no Brasil.
“Saí para estudar na França, ou seja, isso foi o que disse a todos os amigos e parentes quando viajei para União Soviética” revelou Dulce. “Como consegui ficar em Moscou, me tornaram uma exilada” explicou. Com a promulgação da lei de anistia, Dulce não recebeu diretamente o “perdão político”, porém o auto-exílio fez com que a paraense fosse anistiada.
No período teve início um grande movimento civil de reivindicação por eleições diretas para presidente – as Diretas Já. Na ocasião, ocorreram comícios em diversas capitais, várias lideranças se reuniram em prol da democracia. “Fui líder estudantil no início da década de 1980, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. A luta pelas “Diretas Já” no Pará foi tão efervescente quanto nos demais estados brasileiros. A juventude vibrava pela liberdade de escolher seu representante político”, diz o atual deputado federal Arnaldo Jordy.
“Chegamos a reunir milhares de pessoas em grandes comícios na antiga 1º de Dezembro. Apesar de o Pará ter uma posição geográfica longínquo da capital política, fizemos aqui nosso
clamor pela retomada da democracia, pois também éramos vítimas daquele regime ditatorial que massacrava a liberdade das pessoas e reprimia nossos direitos de cidadãos”, diz.
Por Uliana Motta e Cleven Pena.

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