No dia do índio um extermínio foi
registrado e o documento foi encontrado 45 anos depois. O responsável por essa
descoberta foi o vice-presidente do grupo “Tortura Nunca Mais” de São Paulo,
Marcelo Zelic, que também é coordenador do projeto Armazém Memória, que é uma
iniciativa de construção coletiva, com o objetivo de garantir ao povo
brasileiro acesso a sua memória histórica.
O “Relatório Figueiredo” foi
encontrado no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, com mais de 7 mil páginas
preservadas. Zelic já garante que o documento pode ser motivo de preocupação a
diversos setores que possivelmente podem estar envolvidos nas denuncias da
época. Segundo Marcelo, já existem manifestações de pessoas que possivelmente
podem estar envolvidas para a desqualificação do documento. O Relatório pode se
tornar um trunfo para a Comissão da Verdade.
Em
plena ditadura, em 1967, a pedido do ministro do interior, Albuquerque Lima, a
investigação teve o seu início. Investigou mais de 130 postos indígenas e
apurou matanças de tribos inteiras e tortura. “Consistia
na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas
enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas,
eram aproximadas lenta e continuamente”. Uma das inúmeras passagens brutais do
texto redigidas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia.
Por Carlos Augusto Matos

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